Com a explosão das "bets", o vício em apostas — a ludopatia — virou doença que afasta do trabalho. Os afastamentos pelo INSS por esse motivo dispararam em 2026. Entenda o que é, se dá direito a auxílio-doença e, principalmente, como comprovar.
Por Dr. Perito · 25 de setembro de 2026 · 7 min de leitura
Ludopatia — ou Transtorno do Jogo Patológico — é o vício em jogos de azar e apostas. Não é "falta de força de vontade" nem "irresponsabilidade financeira": é um transtorno mental reconhecido pela Organização Mundial da Saúde, classificado como um transtorno de controle de impulsos (CID F63.0). A pessoa sente uma compulsão de apostar cada vez mais, mesmo sabendo do prejuízo que isso causa à sua vida, à família e ao trabalho.
Com a popularização das apostas online (as "bets"), o número de pessoas afastadas do trabalho por ludopatia disparou. Os dados do Ministério da Previdência mostram o tamanho da mudança: em junho de 2023, foi concedido 1 afastamento no mês pelo CID do jogo patológico. Em junho de 2026, foram 62 afastamentos — o maior número da série histórica. Um levantamento apontou crescimento de cerca de 2.300% nos auxílios-doença ligados à ludopatia em poucos anos.
Pode dar. A lei que rege os benefícios (Lei 8.213/1991) garante o auxílio por incapacidade temporária (o antigo auxílio-doença) a quem fica incapaz para o trabalho por mais de 15 dias, por qualquer doença — e a ludopatia é uma doença reconhecida. Se o quadro evoluir para algo permanente, pode até se discutir a aposentadoria por incapacidade permanente.
Aqui está o segredo, e é o mesmo de qualquer benefício por doença: o que o INSS analisa não é a doença em si, e sim a incapacidade que ela causa. Ter o diagnóstico de ludopatia não garante o benefício. É preciso mostrar que o transtorno compromete o seu funcionamento a ponto de você não conseguir trabalhar.
Ou seja: o laudo não pode dizer só "paciente tem ludopatia (CID F63.0)". Ele precisa descrever como a doença afeta a sua capacidade — prejuízo de concentração, de julgamento, de controle, faltas, impossibilidade de lidar com dinheiro ou metas no trabalho, tratamento em curso. É a mesma lógica do laudo que o perito precisa ver.
Como esse ainda é um tema novo para a perícia, a documentação bem-feita é ainda mais importante. Vale preparar-se com cuidado — veja o guia de como se preparar para a perícia.
Como é um tema novo e envolve saúde mental, negativas por "não constatação de incapacidade" acontecem. Se isso ocorrer, você tem 30 dias para recorrer, reforçando o laudo e os relatórios do tratamento.
Mais importante que o benefício é o tratamento. Se você ou alguém da sua família está sofrendo com o vício em apostas, procure ajuda médica e grupos de apoio. O benefício existe para dar suporte enquanto a pessoa se trata — não é o fim, é um apoio no caminho da recuperação.
A gente organiza a documentação médica, orienta sobre o que o laudo precisa conter e prepara o pedido de auxílio por incapacidade — para o seu caso não ser negado por falta de prova da incapacidade. Se negar, ajudamos no recurso. Tudo 100% online e com sigilo.
Como em qualquer diagnóstico, o que decide é a incapacidade: veja o que explicar na perícia e o guia dos benefícios do INSS.
Você não está sozinho — e pode ter direito a apoio. Baixe o guia gratuito e, se quiser, fale com o Dr. Perito. A análise inicial do seu caso é gratuita, sigilosa e sem compromisso.
Sim. É o Transtorno do Jogo Patológico, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde e classificado no CID F63.0 como um transtorno de controle de impulsos. Não é falta de força de vontade — é uma condição de saúde mental.
Não. O INSS analisa a incapacidade para o trabalho, não só a doença. É preciso comprovar, com laudo e relatórios, que a ludopatia impede você de exercer a sua atividade. Só o CID no papel geralmente não basta.
Não há um valor específico para a ludopatia. O cálculo segue a regra geral do auxílio por incapacidade temporária, com base na média dos seus salários de contribuição. Nunca é menor que um salário mínimo.
Esse é um tema trabalhista, e já há discussão na Justiça sobre demissões quando existe uma doença por trás. Procure um advogado trabalhista de confiança para avaliar. O benefício do INSS é uma questão separada, previdenciária.
Sim. Entendemos que é um assunto delicado. O contato com a Confia Prev é sigiloso, e tratamos o seu caso com respeito e sem julgamento.